OPINIÃO: Mulher em clube de tiro? Sim! Treinar para se proteger, não para atacar

Em menos de um ano após obter o Certificado de Registro (CR) para posse legal de arma de fogo,  Andressa Matos, 30 anos, uma das filiadas do Clube de Tiro Sisaleiro de Conceição do Coité, já se destacou como boa atiradora e utiliza o espaço para aperfeiçoar suas técnicas de defesa pessoal.

Andressa

Em entrevista à jornalista Rafaela Rodrigues, Andressa contou que inicialmente acompanhava o esposo nas atividades do clube, mas acabou despertando seu próprio interesse pelo esporte.

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“A partir daí resolvi tirar meu CR e começar a frequentar e competir. Hoje amo o esporte. Além de ser uma prática interessante, é também um meio de se proteger e aprender corretamente como manusear uma arma de fogo”, afirmou.

Andressa

Mesmo apaixonada pelo tiro esportivo, Andressa demonstra consciência e responsabilidade ao defender que a prática pode ser uma ferramenta de proteção para mulheres.

 Para ela, o treinamento não se trata de violência, mas de preparo e segurança.

OPINIÃO, Por Rafaela Rodrigues: 

Faz sentido Andressa ser filiada a um clube de tiro Sisaleiro? Totalmente!

Basta analisar o cenário atual.

Manchetes como “homem ameaça mulher”, “companheira é agredida” ou “jovem é morta por não aceitar o fim do relacionamento” tornaram-se, lamentavelmente, parte do noticiário diário. O que deveria causar indignação generalizada muitas vezes é tratado com naturalidade pela sociedade.

Esse pensamento ainda está profundamente enraizado no Brasil e na região sisaleira não é diferente.

Milhares de mulheres continuam vivendo um verdadeiro martírio, sofrendo agressões físicas, psicológicas e patrimoniais dentro de suas próprias casas. Muitas vezes sem apoio, sem proteção e sem meios de defesa.

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Diante dessa realidade, é legítimo perguntar: por que essas mulheres não podem buscar meios legais para ampliar sua segurança pessoal?

A resposta é clara: podem sim e devem, se assim desejarem.

Nos últimos anos, os clubes de tiro esportivo têm se consolidado não apenas como espaços de competição, mas também como ambientes de aprendizado sobre responsabilidade, disciplina e autodefesa. 

Paralelamente, cresce também o interesse feminino por artes marciais e outras formas de proteção pessoal.

No Clube de Tiro Sisaleiro, levantamento feito pelo Portal Raízes confirmou o aumento expressivo da presença feminina no esporte, inclusive com conquistas importantes, como o título de campeã na categoria revólver, justamente por Andressa Matos.

O espaço oferece treinamento técnico, acompanhamento profissional e um ambiente seguro para mulheres que desejam aprender sobre armas de fogo de forma responsável e consciente.

E o que elas mais relatam ao ingressar nesse universo? Algo simples e direto: querem ter opções para se defender no dia a dia, seja dentro de casa, na rua, solteiras ou casadas.

Vale ressaltar: participar de um clube de tiro não significa incentivar a violência, mas sim fortalecer a autonomia feminina, promover conhecimento e garantir que, se necessário, a mulher tenha condições de se proteger dentro dos limites legais.

Em uma região onde os índices de violência doméstica ainda são preocupantes, estimular a participação das mulheres em espaços como o Clube de Tiro Sisaleiro, assim como em artes marciais, é também discutir cidadania, empoderamento e direito à segurança.

Afinal, defesa pessoal também é um direito.

E o exemplo de Andressa mostra que é possível unir esporte, responsabilidade e proteção sem perder a essência feminina e o protagonismo na própria segurança.

Faça parte do Clube de Tiro Sisaleiro com unidades em Conceição do Coité e Serrinha. Entre em contato: 71 9922-6880

Redação 

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