“Se eu estivesse com droga ou armado, eles deveriam ter ido atrás de mim para verificar a situação, mas não foram”, diz jovem atingido por tiro nas costas pela PRE em Conceição do Coité

Após ser transferido e internado no Hospital Municipal de Itaberaba, o jovem Moisés Almeida, atingido por um disparo de arma de fogo nas costas durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) ontem (05), falou com a jornalista Rafaela Rodrigues na tarde desta segunda-feira (06).

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Após desobedecer blitz, jovem é baleado pela PRE na BA-409 (Conceição do Coité); tiro ficou alojado próximo à região cervical

Acompanhado da prima, de prenome Milene, socorrista que prestou os primeiros atendimentos ainda no local, Moisés contestou a versão apresentada pelos policiais à Polícia Militar.

Segundo ele, em nenhum momento estava armado e afirmou ser trabalhador.

“Eu não vi a viatura. Só tinha um policial em pé. Quando ele atirou, depois é que encontrei a viatura mais à frente na estrada. Pela lei, se eu estivesse com droga ou armado, eles deveriam ter ido atrás de mim para verificar a situação, mas não foram. Apenas atiraram e seguiram normalmente”, relatou.

Ouça o áudio:

O Portal Raízes teve acesso, com exclusividade, ao exame de raio-X que mostra o projétil alojado no corpo da vítima. De acordo com Milene, por poucos centímetros o disparo não causou uma lesão ainda mais grave ou até fatal.

“O sentimento é de indignação. Não houve tiro no pneu. Se eles suspeitavam de algo, por que não foram atrás para verificar se o tiro tinha atingido ou não? Só queremos que admitam o erro”, afirmou.

Questionado sobre o motivo de não ter obedecido à ordem de parada, Moisés explicou que trafegava em alta velocidade e não teve tempo de reagir.

“Quando recebi o tiro, continuei até um posto de combustível porque fiquei com medo de parar e acontecer algo pior”, disse o jovem em entrevista á jornalista Rafaela Rodrigues.

Apesar do ocorrido, o estado de saúde de Moisés é considerado estável. Ele deverá passar por uma tomografia para avaliar a necessidade de retirada do projétil. Caso não haja comprometimento de órgãos vitais, existe a possibilidade de a bala permanecer alojada no corpo.

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Os policiais envolvidos e possíveis testemunhas da ocorrência devem ser ouvidos ainda nesta segunda-feira. Já Moisés deverá prestar depoimento após receber alta médica.

Redação

Fotos: Portal Raízes/montagem

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