Há imagens que contam histórias. Outras, atravessam décadas em silêncio, guardadas como verdadeiros tesouros. Foi exatamente isso que aconteceu com uma fotografia preservada por quase 24 anos pelo jornalista e fotógrafo coiteense Raimundo Mascarenhas do site Calila Notícias parceiro do Portal Raízes.
O registro mostra Raimundo ao lado da Taça da Copa do Mundo conquistada pelo Brasil em 2002, poucas semanas após o histórico pentacampeonato da Seleção Brasileira. Mais do que posar para a foto, ele teve um privilégio concedido a pouquíssimas pessoas: pôde chegar bem perto do troféu e até tocá-lo.
A cena aconteceu nos dias 16 e 17 de julho de 2002, quando a taça desembarcou em Salvador durante uma exposição realizada no Centro do Exército de Amaralina. O objeto mais cobiçado do futebol mundial chegou à capital baiana cercado por um forte esquema de segurança, escoltado por carros-fortes e acompanhado por uma multidão de admiradores.
Na época repórter da Rádio Sisal, Raimundo viajou de Conceição do Coité para Salvador ao lado do jornalista Valdemir de Assis. Entre centenas de pessoas que sonhavam apenas em ver a taça de longe, ele encontrou uma oportunidade que mudaria para sempre sua história.
Ao avistar um dirigente da CBF próximo ao troféu, pediu uma entrevista. O pedido foi aceito e, para facilitar a gravação, recebeu autorização para ultrapassar o cordão de isolamento. Em poucos segundos, estava a centímetros da taça que Cafu havia erguido no Japão diante do mundo inteiro.
Mas o momento mais marcante ainda estava por vir.
Ao final da entrevista, Raimundo perguntou se poderia tirar uma foto ao lado do troféu. A resposta foi positiva, acompanhada apenas de uma recomendação: poderia tocar na taça, mas não levantá-la.
“Para mim, aquilo já era mais do que suficiente”, relembra emocionado.

Antes de atravessar a área restrita, ele teve a sensibilidade de entregar sua câmera a outro profissional, que registrou o momento histórico. O resultado foi uma fotografia rara, que permaneceu guardada em seu acervo pessoal por quase um quarto de século.

Segundo Raimundo, ele nunca viu outra imagem semelhante daquela exposição em Salvador circulando na internet. A explicação está na própria tecnologia da época. Em 2002, os celulares com câmera ainda eram raridade e a maioria dos registros dependia de máquinas fotográficas com filme, que enfrentavam dificuldades para captar imagens de qualidade à distância.
Hoje, a fotografia ganha ainda mais valor por registrar um instante praticamente impossível de ser repetido. Afinal, por tradição da Fifa, o contato direto com a Taça da Copa do Mundo é reservado a chefes de Estado e jogadores campeões mundiais.
Para Raimundo Mascarenhas, porém, o maior prêmio não foi a raridade da imagem, mas a lembrança de um dia inesquecível.
Uma lembrança que o tempo guardou. E que agora ajuda a contar um capítulo especial da história do jornalismo e do futebol baiano.
informações Calila Noticias
Foto: Arquivo pessoal/ Raimundo Mascarenhas




























