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Artigo elaborado por coiteense aborda dificuldades e caminhos da leitura e escrita nas práticas pedagógicas. Confira!

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A moradora de Conceição do Coité, Edineide Araújo Silva, de 41 anos, graduada em Letras Vernáculas pela UNEB e em Pedagogia pela UNOPAR, além de possuir diversas especializações na área da educação, lançou no dia 20 de abril de 2025 o artigo “Leitura e Escrita: Entraves e Perspectivas de Praxes Pedagógicas Ancoradas no Social”.

Confira na íntegra:

Leitura e Escrita: Entraves e Perspectivas de uma Práxis Pedagógica Ancorada no Social.

A leitura e a escrita são pilares fundamentais da formação humana e da cidadania. Contudo, ainda se configuram como grandes desafios nas práticas pedagógicas da Educação Básica, sobretudo quando observadas sob a ótica de contextos sociais diversos e marcados por desigualdades históricas. Este artigo discute os entraves e as perspectivas que permeiam o ensino da leitura e da escrita, propondo uma reflexão sobre a necessidade de uma práxis pedagógica ancorada no social, capaz de reconhecer e valorizar as vivências culturais e históricas dos educandos.

Ensinar a ler e a escrever é muito mais do que ensinar códigos linguísticos; é proporcionar o acesso ao mundo da significação, da crítica e da transformação social. No entanto, o cenário educacional brasileiro ainda revela lacunas significativas nesse processo, sobretudo entre estudantes que vivem em contextos de vulnerabilidade social e educacional.

Nas salas de aula, especialmente nas turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é comum encontrar alunos com dificuldades de leitura e escrita que não se limitam a questões cognitivas, mas estão profundamente relacionadas a aspectos culturais, históricos e socioeconômicos. Diante disso, o professor se torna um mediador essencial entre o saber escolar e as experiências de vida dos alunos.

Entre os principais entraves que dificultam a efetivação de uma prática pedagógica significativa no ensino da leitura e da escrita, destacam-se: A descontextualização do ensino: muitas vezes, a leitura e a escrita são ensinadas de forma mecânica, desvinculadas da realidade dos estudantes; A falta de formação continuada dos professores: a ausência de espaços formativos que discutam práticas sociais de leitura e escrita limita a inovação pedagógica; As desigualdades sociais: a exclusão digital, o analfabetismo funcional e a baixa escolaridade familiar são fatores que impactam diretamente o desenvolvimento da competência leitora e escritora; A carência de materiais e estímulos culturais: o pouco acesso a livros, bibliotecas e espaços de leitura reforça o distanciamento dos alunos do universo literário.

Superar tais entraves requer repensar o papel da escola e do educador. É preciso que a prática pedagógica seja socialmente situada, ou seja, que parta das experiências e do repertório cultural dos alunos. Paulo Freire (1996) já afirmava que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, indicando que o processo de alfabetização deve ser construído a partir da realidade concreta do sujeito. Algumas perspectivas promissoras incluem: Projetos de leitura e escrita com temáticas locais, valorizando a cultura, a história e os saberes da comunidade; Metodologias ativas que coloquem o aluno como protagonista de sua aprendizagem; Práticas interdisciplinares que relacionem a leitura e a escrita com outras áreas do conhecimento; Uso crítico das tecnologias digitais, ampliando o acesso a diferentes gêneros textuais e formas de expressão.

Ler e escrever são atos políticos e sociais. O desafio da educação contemporânea é fazer com que esses atos ultrapassem o domínio técnico e se tornem instrumentos de emancipação e transformação. Para isso, o educador precisa assumir uma postura reflexiva e comprometida com a realidade de seus alunos, tornando sua práxis pedagógica um espaço de construção de sentidos, de inclusão e de valorização das múltiplas vozes que compõem o contexto social da escola.

Edineide Araújo Silva

Graduada em Letras Vernáculas pela UNEB campus XIV e Pedagogia pela UNOPAR.

Pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional; Pós-graduada em Educação Especial e Inclusiva.

Professora da rede pública municipal de ensino do município de Conceição do Coité, atualmente atua na coordenação pedagógica.

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