Coité: “Bêbados” ocupam espaço de quem realmente precisa no hospital; 30 casos foram registrados neste fim de semana; caso Marinalva poderia ter sido diferente

O excesso de álcool, especialmente durante os finais de semana, tem se tornado um problema recorrente e de difícil solução, trazendo consequências graves para quem realmente precisa dos serviços de saúde.

Um levantamento realizado pela jornalista Rafaela Rodrigues, junto a fontes do Hospital Português, revelou que, somente neste último final de semana, entre sábado e domingo, cerca de 30 pessoas em estado de embriaguez precisaram de atendimento médico na unidade.

O dado chama ainda mais atenção pelo fato de não haver nenhum evento de grande porte no período. Segundo funcionários do hospital, em épocas festivas esses números podem dobrar ou até triplicar.

Na prática, isso representa maior ocupação de cadeiras, leitos, tempo e consumo de medicamentos, além da sobrecarga das equipes de saúde.

O mais preocupante é que essa demanda acaba tirando espaço de pacientes que realmente necessitam de atendimento urgente.

Um exemplo claro dessa realidade foi registrado no dia 2 de fevereiro deste ano. Na ocasião, a equipe do Águia Resgate, que estava próxima ao bairro Açudinho, foi acionada para atender um acidente de moto na estrada do distrito de Aroeira. Ao chegar ao local, os socorristas constataram que o condutor apresentava sinais evidentes de embriaguez.

Poucos minutos depois, ainda no bairro Açudinho, a senhora Marinalva Santana, de 51 anos, sofreu um infarto fulminante e precisava de socorro imediato. No entanto, a ambulância estava atendendo a ocorrência anterior, um acidente que poderia ter sido evitado.

Diante da urgência, o esposo da vítima, Wellison Santana, conhecido como “Boca do Lava Jato”, precisou levá-la por conta própria até o hospital. Uma situação que poderia ter sido diferente caso a equipe de socorro estivesse disponível para realizar os primeiros atendimentos ainda no local.

Marinalva chegou à unidade minutos depois, recebeu os procedimentos necessários, mas infelizmente não resistiu.

“Estou muito triste até hoje com toda essa situação. Vi o empenho dos socorristas em querer atender nosso chamado, mas eles estavam longe. Foi quando precisei buscar o carro para levá-la”, relatou, emocionado.

O caso de Marinalva pode ser apenas a ponta de um problema muito maior, que envolve o uso excessivo de álcool, drogas e seus impactos diretos no sistema de saúde e na vida de outras pessoas.

A situação se agrava ainda mais quando há a combinação perigosa entre bebida e direção.

Em maioria dos casos, os envolvidos utilizam motocicletas irregulares, consideradas sucatas, que sequer deveriam estar circulando. Apesar das ações frequentes das autoridades para retirar esses veículos dasw ruas, o problema persiste.

Campanhas educativas são realizadas com frequência, assim como a atuação da Polícia Militar, da Guarda Civil Municipal e dos órgãos de trânsito.

Ainda assim, os números continuam elevados, o que levanta um questionamento inevitável: falta maior conscientização por parte da população?

Mais do que fiscalização, o problema passa por escolhas individuais. É preciso entender que atitudes irresponsáveis não colocam em risco apenas quem bebe, mas também outras pessoas que podem ter seu atendimento comprometido e até perder a vida.

A moderação no consumo de álcool não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade coletiva.

Vale a pena refletir!

Por Rafaela Rodrigues

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