Perder um filho já é uma dor difícil de traduzir em palavras. Imaginar essa dor multiplicada por três é algo que desafia qualquer compreensão.
Pouco mais de dois meses após a tragédia ocorrida em 3 de maio de 2026, em Serrinha, que chocou a Bahia e ganhou repercussão nacional, a jornalista Rafaela Rodrigues conversou com exclusividade com Joselito, pai das três crianças de 4 anos, 6 anos e apenas 11 meses que morreram abraçadas, carbonizadas, após um incêndio atingir a residência onde estavam.
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Segundo as investigações, a mãe das crianças teria saído de casa para participar de uma festa, deixando os filhos sozinhos. Ela foi presa preventivamente e responde ao processo na Justiça.
Durante uma entrevista com a jornalista Rafaela Rodrigues, Jo estava com a voz embargada e, por diversos momentos, trêmula, demonstrou que tenta reconstruir a vida, embora admita que a dor da perda esteja presente todos os dias.
Logo após a tragédia, ele precisou retornar para Santa Catarina.
Com ele, levou Juliana, de 8 anos, a única sobrevivente do caso.
No Sul do país, buscou acompanhamento psicológico para enfrentar o trauma.
Hoje, afirma que o tratamento continua sendo importante, mas diz que encontrou na fé a principal força para seguir vivendo.
“Eu tento ser o mais forte que posso. Às vezes vem aquele choque, o corpo fica mole, mas eu acredito que Deus me deu os meus filhos e Deus os tomou. Eu creio que hoje eles estão em um lugar melhor.”
Ao falar sobre Juliana, Joselito conta que, atualmente, a menina está morando com os irmãos dele em uma cidade próxima, enquanto ele trabalha.
Segundo ele, os dois conversam diariamente por videochamada.
“Ela está bem, graças a Deus. Fiz todos os exames para saber se estava tudo certo com ela. Todos os dias converso com minha filha antes de dormir.”
Durante a entrevista com Rafaela, Joselito também relembrou as dificuldades que enfrentou ao longo da vida e afirmou que jamais imaginou viver uma dor tão profunda.
“Já passei por muitas dificuldades. Minha casa já desabou durante uma chuva, já escapei de situações em que pensei que iria morrer. Deus sempre me deu livramento. Eu só nunca imaginei passar por uma dor como essa.”
Segundo ele, houve momentos em que acreditou que seu coração não suportaria tamanho sofrimento.
“Algumas vezes parecia que meu coração ia parar. Mas senti uma força que não era minha. Era Deus me sustentando. Foi ali que percebi que Ele ainda tinha um propósito para minha vida.”
Joselito também recorda o acolhimento que recebeu logo após a tragédia. De acordo com ele, o carinho de familiares, amigos e até de pessoas desconhecidas foi essencial para enfrentar os primeiros dias de luto.
“Eu não me senti sozinho. Toda hora que eu chorava aparecia alguém para me abraçar. Deus usou muitas pessoas para cuidar de mim. Não precisei me preocupar nem com o sepultamento dos meus filhos. Tudo foi providenciado através da solidariedade.”
Um sinal durante o culto
Um dos momentos mais emocionantes da entrevista aconteceu quando Joselito relembrou uma experiência vivida recentemente durante um culto em uma igreja.
Segundo ele, enquanto orava, pediu a Deus que enviasse alguém para confortar seu coração e lhe desse uma resposta sobre os filhos.
“Eu ajoelhei e falei: ‘Senhor, cuida dos meus anjos. Guarda eles em Tuas mãos. Eu preciso que o Senhor use alguém para falar comigo sobre os meus meninos’.”
Pouco tempo depois, uma mulher que ele nunca havia visto se aproximou e começou a conversar com ele. Joselito interpreta aquele encontro como uma resposta de Deus às suas orações e um sinal de que seus filhos estão em paz.
Hoje, embora reconheça que a saudade jamais desaparecerá, afirma que encontrou na fé a força necessária para continuar vivendo.
“A dor nunca vai passar. Mas Deus continua me sustentando de pé,” concluiu
Por: Rafaela Rodrigues
Foto: Arquivo pessoal

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