Vereadora de Coité afirma que se comunica com marido que morreu há 15 anos: “Colocava as faixas na frente do cemitério pra ele ler”, diz

(Manchete ajustada pois, a vereadora encerra o mandato em 31 de dezembro de 2024)

Você provavelmente já assistiu a Ghost – Do Outro Lado da Vida, no qual o protagonista, Sam Wheat, é um executivo apaixonado pela namorada, Molly. Ele morre, mas sua alma continua em outro plano.

Reprodução Google 

A adaptação da ficção (Ghost) é fundamentada na doutrina espírita, sendo seguida por uma grande quantidade de praticantes no mundo.

Em Conceição do Coité, região sisaleira, a vereadora Juçara Silveira de Oliveira, 65 anos, relata ter tido uma experiência parecida com a do filme.

Juçara- Arquivo pessoal

No dia 05 de março de 2009, a coiteense tinha uma rotina normal com o esposo Mário Raimundo da Silva Oliveira, conhecido por Mario da Caixa, que, naquela época, tinha 50 anos.

Mario chegou em casa após uma atividade física e teve um ataque cardíaco em poucos instantes.

Mário da.Caixa

“Quando ele caiu, falei: Calma, vou te proteger! Não imaginava o que poderia ser até que o levasse para o hospital. Ao colocar na maca, as enfermeiras começaram a me olhar, seguindo de choro. Juçara começou a gritar para saber o que estava acontecendo e meu filho me abraçou, comunicando a notícia”, disse.


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Na cerimônia de luto, a vereadora pediu que um profissional pintasse uma faixa com a seguinte frase: Mor, seja paciente! Entro!

Os dias foram passando e, a cada semana pós-funeral, várias faixas eram estendidas em frente do cemitério, contendo várias declarações de amor da viúva para o amado.

Seria uma demonstração de uma pessoa vulnerável?

Conforme Juçara, não! A coiteense afirma que as frases expostas tinham como objetivo demonstrar aos habitantes que mantinha diálogos com Mário mesmo após sua morte.

Mário da Caixa

“Não ocorreu um processo de loucura ou depressão. Tudo o que fiz está dentro da minha essência e doutrina espiritual”, explica.

Além das faixas, a esposa de Mário da Caixa revelou que teve uma comunicação com o esposo por meio de cartas supostamente psicografadas, ou seja, mensagens que espíritos desencarnados enviam a parentes para consolo-los em relação à dor da morte.

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No texto, lido por um médium, é possível ouvir declarações de amor de Mário, que, mesmo com a morte física, o amor pela esposa aumentou.
Confira:

Seria uma loucura?

Ela recorda que suas crenças na existência após a morte provocavam compaixão nas pessoas, especialmente por manter sua lealdade ao amado.

“Alguns sentiam dó de mim e questionavam-me sobre minha fidelidade a Mário. Sim, com um amor esplêndido e surreal! Ele teve mérito, sendo aprovado por diversas mulheres. Os homens acreditam que eu sou uma mulher atípica”, comenta.

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Ela afirmou que não passou por nenhuma fase de luto durante a morte de Mário, pois enfrentou uma experiência dolorosa ao perder a mãe enquanto ainda era criança.

“Podem imaginar que sou louca, deprimida, mas essas palavras não me atingem. Eles não compreendem o motivo de tanto amor por ele, mas eu amo-me por amar Mário.”

Quando questionada sobre o que Juçara sente falta do esposo, ela respondeu:
Do sorriso e da brincadeira. Se ele estivesse presente, com certeza diria: “Eu te amo!”.

Final do longa Ghost X Juçara e Mário.

A coiteense acredita que foi assim!

“Eu o preparava para sobreviver com independência, desligando-o da atmosfera. Assim foi”, finaliza.

O que a psicologia ensina!

A psicóloga Jessyca Oliveira disse que a psicologia não se limita às questões religiosas, mas o luto é emocional e complexo.

Jessyca Oliveira- Psicóloga 

“Podem ser influenciadas por crenças religiosas, espirituais e isso interfere em diversas esferas, afetando a forma como as pessoas lidam com as perdas e onde elas encontram sentido para lidar com essa dor. Frequentemente, elas encontram refúgio na crença religiosa, uma vez que muitas explicações para a morte têm como fundamento a existência após a morte, incluindo a reencarnação e outros conceitos.

Em relação às homenagens constantes de Juçara para Mário, Jessyca disse que pode ser uma tentativa de manter a ligação que tinha com o esposo.

“É uma maneira de manter-se viva, ativa dentro dela, e as homenagens expressam a idealização do falecido e o receio de esquecimento ou falsa sensação de estar seguindo em frente. Assim sendo, as homenagens acabam por preencher uma lacuna que pode estar em aberto. Ademais, temos a hipótese dela acreditar na existência após a morte e em um propósito por trás da história do casal” , explica.

Jessyca acrescentou que o fato de os comportamentos estarem estabelecidos não significa que a pessoa esteja com um problema psicológico.

“Por vezes, é uma atitude espiritual autêntica de continuar com o luto. Pode ser para Juçara, talvez.
Pode ser que ela acredite que está se separando da pessoa que fez parte de sua existência. “De maneira geral, dentro da psicologia e da religião, as pessoas necessitam de um apoio e nosso desenvolvimento é individual”, afirmou.

A psicóloga disse que as homenagens podem ter sido uma forma que Juçara buscou para amenizar a saudade, mas nem todos os casos se aplicam ao da coiteense.

“Quando as homenagens interferem no dia a dia e na habilidade de estabelecer novas conexões, apresentando sintomas de ansiedade, depressão ou isolamento social, é imprescindível procurar ajuda de um especialista”.

O espiritismo é uma doutrina.

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Por Rafaela Rodrigues

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