Os recentes casos registrados na região sisaleira reacenderam o debate sobre saúde mental, prevenção ao suicídio e a necessidade de acolhimento às pessoas que enfrentam momentos de intenso sofrimento emocional.
Em entrevista a jornalista Rafaela Rodrigues, a psicóloga Jessyca Oliveira, coordenadora da clínica escola de um renomada faculdade de Conceição do Coité responsável pelo acolhimento psicológico destacou que falar sobre o tema é fundamental, desde que a abordagem seja feita de forma responsável, priorizando a prevenção, a identificação de sinais de alerta e a divulgação dos canais de ajuda.

Psicóloga Jessyca
Segundo a profissional, situações como endividamento, vício em jogos de azar, perdas afetivas, desemprego, luto e transtornos mentais podem aumentar significativamente o risco de adoecimento emocional. Ela explica que, em muitos casos, a pessoa não deseja necessariamente morrer, mas busca uma forma de interromper uma dor que considera insuportável.
Entre os principais sinais de alerta estão o isolamento social, mudanças bruscas de comportamento, abandono de atividades que antes proporcionavam prazer, descuido com a aparência, desesperança em relação ao futuro e até publicações com tom de despedida nas redes sociais.
Jessyca também chama a atenção para frases frequentemente associadas ao sofrimento intenso, como: “Eu queria sumir”, “Sou um peso para vocês” ou “Em breve vocês não vão precisar mais se preocupar comigo”. Além disso, atitudes como doar pertences pessoais ou organizar assuntos financeiros de forma repentina podem indicar risco elevado.
A psicóloga reforça que álcool e drogas podem agravar a situação ao reduzir a capacidade de julgamento e aumentar a impulsividade.
Para familiares e amigos, a orientação é acolher sem julgamentos e não minimizar a dor de quem está sofrendo. Perguntar diretamente sobre pensamentos de autolesão ou suicídio não incentiva o ato; pelo contrário, pode representar uma oportunidade de diálogo e busca por ajuda.
Outro ponto destacado pela especialista é o impacto do suicídio sobre familiares e amigos, conhecidos como “sobreviventes enlutados”, que frequentemente enfrentam sentimentos de culpa, tristeza profunda e questionamentos sem resposta.
Por fim, Jessyca defende o fortalecimento das redes de apoio, envolvendo famílias, escolas, igrejas, associações e serviços de saúde, para identificar precocemente situações de risco e encaminhar as pessoas para atendimento especializado.
Onde buscar ajuda
Pessoas em sofrimento emocional podem procurar o CAPS, unidades de saúde, psicólogos ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188, com atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia.
“A dor que você sente hoje é real, mas ela não é eterna. Todas as vezes que choveu, parou. Nenhum sofrimento dura para sempre. Existe ajuda e existe saída”, conclui a psicóloga.
Redação
Foto: Ilustração




























