A angústia e o desespero tomaram conta da família da aposentada Ana Maria de Jesus Paixão, de 61 anos, conhecida como “Chica”, natural de Teofilândia e moradora de Conceição do Coité há mais de 40 anos. Internada há 19 dias no Hospital Português, a paciente aguarda uma vaga de regulação para uma unidade especializada, enquanto seu estado de saúde se agrava.
Em um relato emocionante à jornalista Rafaela Rodrigues, a filha, Marisa, descreveu o sofrimento vivido pela mãe e por toda a família.
Segundo ela, Ana Maria deu entrada no hospital no último dia 6 de junho após sentir fortes dores nas costas. Durante os exames, foi constatada uma anemia profunda, que acabou provocando um infarto silencioso.

Desde então, a paciente já recebeu cinco bolsas de sangue, mas a anemia persiste. De acordo com Marisa, médicos informaram que o hospital não dispõe dos recursos necessários para descobrir a causa da doença, sendo necessária a transferência urgente para uma unidade de maior complexidade.
“Uma das médicas me disse que minha mãe não pode mais ficar em Coité. Ela precisa urgentemente ir para um hospital especializado para descobrir o motivo dessa anemia e iniciar o tratamento correto”, contou.
A situação ficou ainda mais delicada porque, segundo a filha, Ana Maria está há cerca de 10 dias sem conseguir se alimentar, ingerindo apenas pequenas quantidades de água administradas por seringa.
Marisa afirma que chegou a pedir a colocação de uma sonda para alimentação, mas foi informada de que o caso ainda seria avaliado.
O sofrimento, segundo ela, vai além da paciente.
“O coração está dilacerado, da família toda. A gente não consegue se alimentar direito, não consegue dormir direito. É sem palavras ver o estado de saúde da minha mãe, que sempre foi uma mulher forte, trabalhadora, lavradora, e hoje está numa cama de hospital dependendo de ajuda para tudo.”
Em meio à aflição, Marisa diz sentir-se impotente diante da demora na regulação.
“Hoje eu me sinto impossibilitada de ajudar minha mãe. Tudo o que eu podia fazer, eu já fiz. Corri atrás de tudo, mas fico travada por conta da regulação.”
Em um dos momentos mais emocionantes do relato, ela fez um apelo comovente.
“Se eu pudesse, estaria no lugar dela. Eu trocaria de lugar com minha mãe sem pensar duas vezes. É muito doloroso vê-la sofrendo desse jeito e não poder fazer mais nada. Ver minha mãe nessa situação acaba com qualquer filho.”
Desesperada, Marisa afirma que buscou ajuda de autoridades políticas do município e informou que pretende recorrer ao Ministério Público, na tentativa de conseguir, por meio da Justiça, a transferência da mãe para um hospital especializado.
Enquanto aguarda uma resposta, a família vive dias de apreensão, alimentando a esperança de que a vaga seja liberada antes que o quadro clínico da aposentada se agrave ainda mais.
“A única coisa que eu peço é que minha mãe tenha a oportunidade de ser transferida e receber o tratamento que precisa. Nossa esperança é que essa vaga saia antes que seja tarde demais”, concluiu.
A família também divulgou o número da regulação, 4925001, e pede sensibilidade e agilidade para que a transferência da paciente seja autorizada o quanto antes
Redação
Foto: Arquivo pessoal


