Valente: Mãe atípica se revolta com vídeo de suposta brincadeira sobre autismo entre servidoras do CAPS: psicóloga participa da cena

IMG-20260810-WA0570
00:00
00:00

A luta de uma mãe atípica e de muitas famílias que convivem diariamente com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve, além dos desafios relacionados ao diagnóstico e ao tratamento, o enfrentamento constante do preconceito e da falta de informação.

 

Nesta segunda-feira (10), uma mãe atípica, que preferiu não ser identificada, procurou a redação do Portal Raízes após um vídeo divulgado nas redes sociais gerar indignação. Nas imagens, uma funcionária do município de Valente aparece fazendo uma suposta brincadeira relacionada ao autismo de outra servidora, que supostamente seria psicóloga, conforme informações repassadas à reportagem.

CLIQUE AQUI E VEJA O VÍDEO

Além da fala relacionada ao autismo, o conteúdo divulgado também apresenta outros momentos que chamaram a atenção da mãe atípica. Segundo a gravação encaminhada à reportagem, as envolvidas fazem referências,  a outras condições relacionadas à saúde mental e ao neurodesenvolvimento, incluindo TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e expressões relacionadas à deficiência intelectual.

 

No vídeo, a suposta técnica de enfermagem aparece falando, em tom de brincadeira e entre risos:

 

“Você é autista nível 3 de suporte e quem lhe suporta sou eu. G. psicóloga, e eu sua amiga que lhe suporta”, disse.

 

A psicóloga aparece nas imagens sorrindo e não rebate a fala. O vídeo, segundo a mãe que procurou a reportagem, causou preocupação justamente por envolver uma condição que exige cuidado, respeito e compreensão.

 

 

Em outro momento, em um comentário na própria publicação, a técnica de enfermagem teria escrito a expressão “sofrendo bullying no trabalho”, também fazendo referência à condição atribuída à colega.

 

 

Para a mãe atípica, o episódio é especialmente preocupante por envolver profissionais que, segundo ela, trabalham em um serviço destinado ao atendimento de pessoas que enfrentam transtornos mentais e outras condições de saúde.

 

 

“Estou triste e revoltada. Um espaço que deveria acolher, respeitar e tratar com seriedade pessoas que enfrentam transtornos mentais, funcionárias fazem brincadeiras e zombarias envolvendo possíveis transtornos de uma colega de trabalho. Transformar uma condição tão séria em motivo de piada é, no mínimo, preocupante. Por trás de cada diagnóstico existem pessoas, histórias e famílias que enfrentam diariamente desafios, preconceitos e muito sofrimento”, declarou.

 

Ela ainda reforçou:

“Não é brincadeira. Não é motivo de deboche. Transtornos mentais exigem respeito, empatia e responsabilidade, principalmente dentro de um serviço que deveria ser referência em cuidado e acolhimento.”

 

O Portal Raízes procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Valente para solicitar esclarecimentos sobre o episódio, saber se a pasta tinha conhecimento do vídeo e quais providências poderiam ser adotadas.

PUBLICIDADE

 

Até o fechamento desta reportagem, porém, não houve retorno.

A reportagem também deixa claro que o vídeo, isoladamente, não permite concluir sobre eventual intenção das envolvidas ou sobre a existência de uma situação de bullying no ambiente de trabalho. O objetivo é registrar a repercussão do conteúdo e a preocupação manifestada por uma mãe que convive diretamente com os desafios relacionados ao TEA.

O caso, inclusive  repercutiu entre grupos de mães atípicas, gerando preocupação e indignação entre famílias que convivem diariamente com os desafios relacionados ao autismo

O espaço permanece aberto para manifestação da Secretaria de Saúde, das servidoras e das demais pessoas envolvidas.

 

Redação

Foto: Frame

Outras Notícias

×