Apesar de todo o suporte oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde de Conceição do Coité, por meio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), uma jovem identificada pelas iniciais N. R. 23 anos, voltou a se envolver em uma ocorrência grave e acabou presa em flagrante na tarde desta quarta-feira (10), após, segundo a polícia, ameaçar a própria mãe com uma faca.
Conforme apurado pelo Portal Raízes, a paciente chegou a ser internada no Hospital Juliano Moreira, em Salvador, após determinação judicial obtida com o apoio da rede municipal de saúde. No entanto, a internação durou cerca de 30 dias e, após retornar ao município, o quadro voltou a se agravar.
De acordo com informações apuradas pela jornalista Rafaela Rodrigues, somente na Delegacia Territorial de Conceição do Coité já existem pelo menos cinco registros envolvendo a paciente.
Além disso, há relatos de diversas ocorrências anteriores relacionadas a ameaças, agressões e outros episódios atribuídos aos frequentes surtos apresentados por ela.
Fontes ouvidas pela jornalista, que preferiram não se identificar, relataram que, nos últimos dias, durante uma das poucas vezes em que N.R. compareceu ao CAPS para receber medicação, ela teria entrado em surto. Diante da situação, a aplicação da medicação não foi possível.
Ainda conforme apuração da jornalista Rafaela Rodrigues, a jovem possui histórico de transtornos psiquiátricos graves, incluindo esquizofrenia, além de outras condições que exigem acompanhamento contínuo e adesão rigorosa ao tratamento médico.
A reportagem apurou ainda que ela também faz uso de drogas, situação que aumenta a complexidade do acompanhamento realizado pela rede de saúde e pode contribuir para o agravamento do quadro clínico.
O Portal Raízes também constatou que, embora o cadastro da paciente permaneça ativo e diversas tentativas de acompanhamento tenham sido realizadas pelos profissionais de saúde, os esforços esbarram na falta de adesão ao tratamento.
Ela teria faltado a diversas consultas agendadas com especialistas, deixado de tomar medicamentos regularmente e apresentado sucessivos episódios de surto.
Documentos e informações obtidas por Rafaela Rodrigues indicam que familiares, profissionais da saúde e órgãos competentes já buscaram alternativas para garantir assistência adequada à paciente.
Entretanto, a situação continua se repetindo, colocando em risco não apenas a própria jovem, mas também familiares, servidores públicos e a população.
A reportagem apurou ainda que a mãe da jovem, Í L, tem buscado ajudar a filha de diversas formas, acompanhando atendimentos e tentando garantir a continuidade do tratamento. Além da difícil situação envolvendo o quadro de saúde da filha, a mãe também se recupera de um acidente de trânsito ocorrido na última semana, nas proximidades do município de Barrocas.
O que diz o CAPS
Após a apuração da reportagem, a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Simone Ferreira, destacou que a usuária permanece assistida e acompanhada pela unidade desde o seu ingresso no serviço, contando com o suporte da equipe multiprofissional e com os recursos terapêuticos disponibilizados pelo CAPS.
Segundo a coordenadora, a adesão ao tratamento é um fator fundamental para a evolução clínica da paciente.
“A adesão aos atendimentos, às orientações da equipe e ao tratamento proposto é fundamental para a efetividade do acompanhamento. Sem o envolvimento e a colaboração da usuária, as possibilidades de evolução clínica e de alcance dos objetivos terapêuticos ficam significativamente comprometidas, dificultando a continuidade e os resultados esperados do tratamento”, afirmou.
Simone Ferreira também ressaltou a importância do apoio familiar durante todo o processo terapêutico. Conforme a coordenadora, embora a paciente tenha apresentado estabilização clínica após o período de internação hospitalar, a manutenção dessa estabilidade depende de uma rede de apoio fortalecida, com incentivo à adesão ao tratamento, ao comparecimento aos atendimentos e ao uso adequado das medicações prescritas.
“O suporte familiar é um fator fundamental para a prevenção de recaídas e para a continuidade dos avanços obtidos”, acrescentou.
Uma questão que exige providências urgentes
Este não é apenas um caso policial. Trata-se, sobretudo, de uma questão de saúde pública e proteção social.
Quando uma pessoa com transtornos psiquiátricos graves deixa de seguir o tratamento, faz uso de drogas e passa a representar risco para si e para terceiros, surge um desafio que ultrapassa a capacidade da família e até mesmo dos serviços municipais de saúde.
Os registros de ocorrências, os relatos de surtos frequentes, o histórico de internação e as repetidas intervenções demonstram que a situação exige uma atuação mais efetiva dos órgãos responsáveis.
A sociedade se pergunta até quando medidas paliativas serão suficientes diante de um quadro que se repete e se agrava com o passar do tempo.
A expectativa é que as autoridades competentes avaliem, com urgência, quais providências legais, médicas e sociais podem ser adotadas para evitar que o problema evolua para uma tragédia anunciada.
Afinal, a prevenção deve vir antes da irreparável perda de vidas.
Por Rafaela Rodrigues.




























