CASO ERNESTO REYES: representante comercial relatou à polícia que advogado teria tentado matá-lo com vários tiros em 2023; família diz que pediu socorro, mas encontrou silêncio em Conceição do Coité

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Após a divulgação, pelo Portal Raízes, de casos envolvendo o advogado Ernesto Pinto Reyes, um novo documento chegou à redação. Desta vez, o registro traz à tona um episódio ainda mais grave: o relato de uma suposta tentativa de homicídio ocorrida em Conceição do Coité, em outubro de 2023.

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No boletim de ocorrência, Ernesto Reyes, que morreu em fevereiro de 2025 após ser executado a tiros nas proximidades do Fórum da cidade, aparece na condição de “suposto autor/infrator”.

Do outro lado está um representante comercial de Conceição do Coité, cuja identidade será preservada. Ele afirmou à Polícia Civil ter sido ameaçado, perseguido e alvo de disparos de arma de fogo.

Para a família do homem que procurou a polícia, porém, a violência relatada no documento não teria sido o único trauma.

Em contato com a jornalista Rafaela Rodrigues, a esposa do comunicante explicou por que, neste momento, não deseja falar detalhadamente sobre o caso. Segundo ela, a família pediu ajuda na época.

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Procurou pessoas para divulgar o episódio.
Buscou apoio.

Tentou encontrar quem estivesse disposto a ouvi-la.

A resposta, segundo a mulher, foi o silêncio.

Vale destacar, desde o início, que a publicação desta reportagem não justifica, relativiza ou tenta encontrar qualquer explicação para a morte brutal de Ernesto Pinto Reyes. Nenhum fato anterior, denúncia ou relato contido em boletim de ocorrência pode servir para legitimar uma execução. O policial militar suspeito do assassinato permanece preso, aguardando os próximos passos da Justiça, a quem cabe apurar os fatos e definir responsabilidades.

 

O relato registrado na delegacia

 

De acordo com o histórico do boletim de ocorrência obtido pelo Portal Raízes, o comunicante relatou que havia ido à residência de Ernesto para devolver chocolates que teriam sido enviados à sua família.
Segundo a versão apresentada às autoridades policiais, ao chegar ao imóvel e colocar os chocolates sobre um sofá, Ernesto teria retirado uma pistola de uma gaveta, apontado a arma para a cabeça do homem e dito que “iria resolver as coisas do lado de fora”.
Ainda conforme o relato registrado no documento, os dois teriam deixado o local em carros diferentes.

Na sequência, Ernesto teria ultrapassado o veículo do comunicante em alta velocidade e efetuado disparos contra o carro.

O homem afirmou não saber precisar a quantidade de tiros e disse que conseguiu fugir do local.

 

O boletim também registra, entre os objetos relacionados à ocorrência, 12 munições deflagradas de calibre 9 milímetros, além de um veículo apreendido.

Conforme apurado pela reportagem, durante a investigação a Polícia Civil também ouviu outras pessoas relacionadas ao caso. O procedimento seguia em andamento, mas acabou sendo arquivado após a morte de Ernesto Pinto Reyes, em razão da extinção da punibilidade.

“Ninguém quis divulgar, ninguém quis ajudar”

 

A esposa do comunicante não quis conceder, neste momento, uma entrevista detalhada à jornalista Rafaela Rodrigues. Suas poucas palavras, no entanto, revelaram uma mágoa que, segundo ela, permanece até hoje.

A mulher afirmou que, quando tudo aconteceu, a família tentou levar o episódio ao conhecimento público. Procurou pessoas, pediu ajuda e buscou quem pudesse dar visibilidade ao caso.

“Quando tudo aconteceu, nós corremos atrás de pessoas que pudessem divulgar. Ninguém quis divulgar, ninguém quis ajudar a gente.”
O temor, segundo ela, teria ido ainda mais longe.

A esposa da vítima relatou à reportagem que a família também teria enfrentado dificuldades para conseguir representação jurídica em Conceição do Coité.

Segundo sua versão, advogados da cidade supostamente temiam assumir a causa por causa do comportamento atribuído a Ernesto, e a família precisou contratar um profissional de fora do município.

A afirmação é da esposa do comunicante e foi feita diretamente à reportagem.

“Hoje eu poderia estar viúva”

Ao falar sobre aquele período, a mulher descreveu o episódio como extremamente traumático para toda a família.
“Foi uma coisa muito ruim, muito traumatizante para a gente. Eu só concordaria em falar se fosse para ajudar o policial militar e, se a Justiça me chamasse, eu falaria a verdade.”

Em outra afirmação, resumiu o tamanho do medo que diz ter vivido:

“Hoje eu poderia estar viúva por causa daquele homem.”

Anos se passaram. Para a família, porém, as marcas daquele episódio ainda parecem permanecer.

Além do trauma provocado pelo que teria acontecido, ficou também a mágoa por não ter encontrado espaço para ser ouvida justamente quando mais buscava ajuda.

O espaço permanece aberto para manifestação dos familiares de Ernesto Pinto Reyes e das demais pessoas citadas ou relacionadas ao caso.

 

Redação

Foto e vídeo Arquivo.

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