Caso Romário: seis meses após acidente fatal, família de motociclista cobra justiça em Retirolândia; laudo aponta ultrapassagem irregular, suspeita de embriaguez e réu está solto

Quase seis meses após o trágico acidente que resultou na morte de um motociclista em Retirolândia, na região sisaleira, a família da vítima segue em busca de justiça contra o suspeito de ter provocado a colisão.

O acidente envolveu uma motocicleta e um Ford Fiesta, culminando na morte do condutor da moto, Romário Maciel Saturnino, de 36 anos, natural do município. O motorista do carro foi preso em flagrante e permaneceu detido por 30 dias.

Relembre o caso clicando aqui.

De acordo com laudo pericial obtido pela jornalista Rafaela Rodrigues, no âmbito do processo que tramita na Vara Criminal de Retirolândia, uma ultrapassagem irregular pode ter sido a causa do acidente fatal.

Segundo o documento, o acidente ocorreu em um trecho de pista com sinalização que proibia ultrapassagem para veículos no sentido em que trafegava o Ford Fiesta, embora permitisse a manobra para motocicletas. A via é de mão dupla, possui asfalto em boas condições, mas apresentava baixa visibilidade no momento do ocorrido devido à ausência de iluminação pública.

Outro ponto central do processo é a suspeita de que o motorista estivesse sob efeito de álcool. No entanto, conforme consta nos autos, não há comprovação definitiva de embriaguez ao volante até o momento. Isso porque os testes de alcoolemia apresentaram resultados divergentes, com registros de 0,44 mg/l e 0,26 mg/l, levantando questionamentos sobre a consistência da prova técnica.

No processo, o réu foi enquadrado principalmente em crimes de trânsito, com destaque para:

Art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB): conduzir veículo sob efeito de álcool;

Art. 309 do CTB: dirigir sem habilitação ou com habilitação irregular, gerando perigo de dano.

Família cobra justiça

A irmã de Romário, Claudiane Maciel, 45 anos, relatou à jornalista Rafaela Rodrigues que a família ainda enfrenta um luto profundo diante da perda irreparável.

Segundo ela, o réu já teria se envolvido em outro acidente anteriormente.

“Antes dessa situação com meu irmão, esse mesmo rapaz atropelou nosso primo, que teve fraturas”, afirmou.

Claudiane também desabafou sobre a dor de ver o suspeito em liberdade.

“É revoltante saber que ele continua vivendo normalmente, enquanto tirou a vida do meu irmão. Ele poderia estar respondendo pelo que fez. Nós queremos justiça. Meu irmão não volta mais, mas é justo esse homem estar livre, bebendo e correndo o risco de fazer novas vítimas? Preso, esse risco diminui e nossa dor ameniza diante de tudo isso”, disse.

Filhos sentem a ausência do pai

Romário deixou dois filhos, de 7 e 12 anos. De acordo com Claudiane, o mais novo sofreu recentemente uma crise de pânico ao chamar pelo pai.

“É muito doloroso explicar para uma criança que o pai não vai voltar”, relatou.

Além dos filhos, a mãe da vítima, Claudiane e outros familiares enfrentam problemas psicológicos desde o ocorrido.

“Não é fácil ver tanto sofrimento. Por isso, só queremos que ele responda pelo ato cometido, pois o próprio laudo aponta que houve erro”, finalizou.

O espaço permanece aberto para manifestação da outra parte, caso queira apresentar sua versão dos fatos.

Redação/colaboração Marcos Valentim (Boca de 09)

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