“Destroem tudo”, relatam policiais: saiba o que dizem PMs sobre os bastidores das revistas na Bahia; veja o antes e depois

IMG-20260922-WA0499
00:00
00:00

O Portal Raízes apurou, com exclusividade, relatos de policiais militares absolvidos em processos judiciais e de outros que permanecem custodiados no Centro de Custódia, localizado no Batalhão de Choque, em Lauro de Freitas, na Bahia.

Veja também: 

Exclusivo: PM de 103 anos será julgado por homicídio nesta quinta na Bahia e pode estar entre os réus mais velhos do mundo a enfrentar um júri. Entenda o caso!

As fontes ouvidas durante a visita descreveram situações vivenciadas durante revistas nas celas e afirmaram que alguns procedimentos deixaram marcas emocionais.

Segundo informações obtidas pelo Portal Raízes, as revistas (busca e inspeção realizado por agentes de segurança para localizar objetos proibidos ou materiais que possam comprometer a segurança da unidade) costumam ocorrer diante de suspeitas de que policiais custodiados estejam utilizando aparelhos celulares para interferir em processos judiciais.

PUBLICIDADE

As ações geralmente contam com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Corregedoria da Polícia Militar e da Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia (Seap), por meio do Grupo Especial de Operações Prisionais (Geop), da Polícia Penal, da Central de Monitoração Eletrônica de Pessoas (Cmep), da Coordenação de Monitoramento e Avaliação do Sistema Prisional, além do Batalhão de Choque.

Segundo informações obtidas pelo Portal Raízes, 77 policiais militares estariam custodiados atualmente na unidade.

Fontes ouvidas pela reportagem relataram preocupação com as condições de acomodação e apontaram uma possível situação de superlotação.

Militar absolvido relata experiência durante revista

Uma das fontes, que não será identificada e já deixou a unidade, afirmou que as revistas eram momentos difíceis e que ainda carrega traumas dessas experiências.

 

“As grades batendo, a bagunça que eles fazem… Até no meu período, precisei ficar nu para que eles [realizassem o procedimento]”, relatou o militar, absolvido em um processo por homicídio.

 

Segundo relatos obtidos pela reportagem, policiais militares teriam sido submetidos a procedimentos nos quais precisaram ficar despidos durante uma revista realizada após uma fuga. As fontes afirmaram que o episódio foi denunciado aos órgãos de Direitos Humanos. O Portal Raízes ainda busca informações sobre a denúncia e não obteve detalhes sobre sua eventual apuração.

 

Policial custodiado denuncia destruição de pertences

Outro policial militar, que permanece custodiado e responde a um processo relacionado a um suposto caso de auto de resistência, relatou que uma revista realizada nos últimos dias foi, em sua avaliação, uma das mais devastadoras.

PUBLICIDADE

“A pior parte é a destruição que eles causam durante a revista nas celas. Quebram tudo, desperdiçam alimentos, alguns jogam fora, outros comem e deixam os pedaços mordidos lá. Rasgam colchões, travesseiros e nos deixam numa situação ainda mais difícil”, afirmou.

O militar disse não ter percebido agressões físicas durante os procedimentos, mas destacou os impactos emocionais das revistas.

“Rapaz, a gente fica com uma sensação de impotência, de humilhação, de não ser tratado naquele momento como ser humano, sabe?”, contou.

Em outro relato, um policial militar comparou os procedimentos às buscas realizadas pela corporação em residências de cidadãos.

 

“Esses agentes realizam essas buscas lá nas celas e quebram, levam nossas coisas, e a gente fica se comparando com nossas ações. Nós, como policiais militares, quando realizamos busca na casa de algum cidadão, a gente não faz isso, porque sabe que ali mora uma família, mora uma pessoa. Independentemente do crime, a gente não tem que destruir nada dela para humilhar”, relatou.

 

O policial acrescentou que, em sua avaliação, os militares procuram preservar os pertences durante as diligências para evitar possíveis responsabilizações por danos.

 

“Eles quebram. Por várias vezes já danificaram muitas coisas lá e, quando a gente vai reclamar sobre a revista, dizem que não pode fazer nada, que é a forma deles fazerem as buscas”, afirmou.

 

Os relatos foram apresentados pelas fontes ouvidas pelo Portal Raízes. As denúncias ainda dependem de esclarecimentos dos órgãos responsáveis pelos procedimentos.

 

O Portal Raízes produziu simulações visuais, com base em relatos de policiais militares e informações compartilhadas por visitantes da unidade, para ilustrar como seriam as celas e as condições em que ficariam após a realização das revistas.

As imagens foram elaboradas para representar, de forma ilustrativa, os cenários descritos pelas fontes.

 

Embora apresentem semelhanças com as características relatadas, não são registros fotográficos reais do interior da unidade, mas simulações que buscam aproximar o leitor das situações narradas durante a apuração.

 

Posicionamento oficial

 

O Portal Raízes solicitou posicionamento da Policia Militar sobre os procedimentos de revista realizados no Centro de Custódia, incluindo os protocolos adotados, a preservação dos pertences dos custodiados e os mecanismos disponíveis para registrar e apurar eventuais denúncias de danos materiais ou tratamento inadequado.

 

A reportagem também questionou as condições de acomodação dos policiais custodiados, a capacidade da unidade e as medidas adotadas para garantir a segurança, a integridade e a dignidade das pessoas privadas de liberdade.

O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos citados.

 

Redação

Fotos: Ilustração/IA

Outras Notícias

×