OPINIÃO – mais de duas décadas atuando no jornalismo brasileiro, talvez esta seja a primeira e possivelmente a última que emito uma opinião no âmbito da política eleitoral. Alguns irão concordar, outros não. E tudo bem. Como a maioria das pessoas sabe, não tenho preferências políticas, até porque tenho respeito e carinho tanto pela atual gestão quanto pela oposição
No entanto, como profissional da comunicação, preciso ser justa. E é inegável que alguns colegas da imprensa distorceram de forma preocupante a fala do prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Araújo, ao comentar o posicionamento de uma vereadora da própria base sobre a criação de uma Secretaria da Mulher.
E há uma forma muito simples de entender o que realmente foi dito: basta assistir ao conteúdo na íntegra:
Fiz a transcrição completa da fala do prefeito durante a tribuna livre e percebi que muitas interpretações equivocadas surgiram, impulsionadas pelo sensacionalismo.
Quando Marcelo afirma que a secretaria seria uma “loucura”, essa expressão foi retirada de contexto. Ao analisar a fala completa, fica claro que ele se referia à forma como a proposta foi apresentada, e não necessariamente à criação da secretaria em si.
Ao meu entendimento, o prefeito destacou que já existem, sim, órgãos e setores que oferecem suporte às mulheres no município, inclusive estruturas herdadas de gestões anteriores, e que, neste momento, a indicação formal não seria a medida mais adequada.
Por outro lado, ao observar também o posicionamento da vereadora, pode-se ter a impressão de que a população feminina está completamente desassistida, o que não corresponde integralmente à realidade.
Outro ponto importante é que a criação de uma secretaria, por si só, não resolve um problema tão complexo como a violência doméstica. Trata-se de uma questão que envolve múltiplos fatores: políticas públicas, atuação das forças de segurança, apoio institucional e, sobretudo, conscientização social.
Não sei se toda essa repercussão ocorre por motivações político-eleitorais, algo que, particularmente, não aprecio, mas, ao analisar o conteúdo completo, fica evidente que a fala do prefeito está longe de ser o “bicho de sete cabeças” que muitos tentaram apresentar.
Reforço: o vídeo está disponível no canal oficial da Câmara, e a interpretação correta passa, necessariamente, por assisti-lo na íntegra.
Transformar recortes de vídeo em verdade é desinformar. Um trecho isolado, fora de contexto, tem o poder de distorcer completamente o sentido de uma fala e induzir a população a conclusões equivocadas. No jornalismo, a responsabilidade vai além de informar: é preciso contextualizar, ouvir na íntegra e apresentar os fatos com fidelidade. Quando isso não acontece, o que se constrói não é notícia, mas uma narrativa que pode comprometer a compreensão da realidade.
Nesse cenário, é justo reconhecer quando o trabalho é feito com responsabilidade. O portal Calila Notícias parceiro do Portal Raízes por exemplo, foi feliz na forma como conduziu a abordagem do caso, trazendo equilíbrio e contextualização. Inclusive, a matéria “Mesmo lado, opiniões opostas: fala de Marcelo Araújo sobre indicação de Manu Resedá gera polêmica em Coité” apresenta de forma clara os diferentes pontos de vista envolvidos, contribuindo para um entendimento mais fiel dos fatos.
Por fim, acredito que Conceição do Coité precisa avançar em outras frentes igualmente urgentes, como a implantação de uma Delegacia da Mulher ou até mesmo de uma Central de Flagrantes, mas esse já é outro debate.
Com carinho e respeito
RAFAELA RODRIGUES
JORNALISTA E RADIALISTA
DRT 6948/BA 7131/,DF




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